Manifestantes realizaram na manhã de hoje um protesto na Marginal Tietê, em São Paulo, e interditaram a via no sentido da rodovia Ayrton Senna. O protesto contra as medidas de restrição anunciadas pelo governo do estado para conter o avanço da covid-19 e o aumento da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) durou cerca de 5 horas e as vias foram liberadas por volta das 11h, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Todo o estado de São Paulo entra na fase vermelha do Plano São Paulo a partir da meia-noite neste sábado. Nesta fase, apenas serviços essenciais — como mercados e farmácias — ficam abertos, mas com capacidade reduzida. A medida vale até o dia 19, mas pode ser prorrogada.

Vans e caminhões ficaram parados nas três pistas da via — expressa, central e local — e só liberavam a passagem de carros de passeio e motocicletas. Os manifestantes carregavam faixas contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

O rodízio municipal de veículos foi suspenso para os veículos de placas finais 9 e 0. Por causa da manifestação, a rodovia Presidente Castello Branco e a Marginal Pinheiros ficaram congestionadas.

O coronel Robson Cabanas Duque, porta-voz da PM, disse em entrevista ao Bom Dia São Paulo, da TV Globo, que os policiais foram orientados a negociar com os manifestantes para liberar a via.

“Estamos vivendo momento crítico da pandemia, as pessoas precisam compreender que quando você faz uma manifestação que tem impacto na estrutura da cidade nós vamos afetar os hospitais, os insumos que são levados (…) Entendemos o direto à manifestação, mas ela precisa ser pensada, precisa respeitar o direito das outras pessoas”, afirmou. Segundo ele, o protesto tem uma liderança descentralizada.

Secretária: ‘Não há hipótese de não ter fase vermelha’

A secretária estadual do Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, disse que manifestações pacíficas são bem-vindas, mas que os atos não podem interromper vias neste momento. Ela também descartou que o governo paulista voltará atrás na decisão de restringir as atividades.

“Não há hipótese de não termos fase vermelha (…) Nós tivemos o maior aumento de internações em leitos de UTI covid desde o início da pandemia. E não é somente de idosos, é de jovens, adultos, todos estão adoecendo e nós não teremos leitos para a população se não fizemos nossa parte”, disse, em entrevista à TV Globo.

Ellen afirmou ainda que o secretariado dialoga com todos os setores, mas também explica a seriedade do momento. “Não é uma discussão de flexibilização neste momento. Estamos numa operação de guerra pela vida. A discussão é: só podemos operar com o mínimo estritamente necessário para manter as cidades funcionando, para manter os alimentos chegando, o sistema de saúde operando, os serviços essenciais funcionando. São duas semanas de muito esforço coletivo para tentarmos neste momento reduzir a taxa de transmissão do vírus”, acrescentou.

Governo diz manter canal aberto com setores

Em nota, o governo de São Paulo diz entender as manifestações, mas ressaltou que ir contra as medidas de isolamento social “é ignorar a morte de 60 mil pessoas no estado”.

O comunicado acrescenta que a decisão de colocar os municípios paulistas na fase vermelha do Plano São Paulo foi adotada por recomendação do Centro de Contingência, devido ao aumento de casos, internações e óbitos provocados pelo novo coronavírus.

“O protesto é um boicote ao esforço dos profissionais de saúde que lutam para salvar vidas em meio a uma pandemia. E, por outro lado, é uma forma de tentar camuflar a realidade macroeconômica que o país enfrenta com cinco aumentos no preço da gasolina neste ano, quatro elevações consecutivas no preço do diesel, inflação de alimentos, a volta da recessão, aumento da dívida pública e a disparada de preços de itens básicos como arroz e leite”, diz o governo paulista.

A administração estadual disse ainda reconhecer a gravidade da crise econômica e seus impactos “e mantém canal aberto com todos os setores e representantes de associações”. “Para auxiliar os empreendedores a atravessarem essa crise, o Estado desembolsou quase R$ 2 bilhões de crédito pela Desenvolve SP, Banco do Povo e Sebrae e liberou neste ano mais R$ 125 milhões de crédito.”

Fonte: UOL