Nos últimos dias, pesquisadores a autoridades de saúde discutem um efeito adverso raro, supostamente, ligado a algumas vacinas disponíveis contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), como a fórmula da Janssen (Johnson & Johnson) e da Covishield (Oxford/AstraZeneca). Agora, outros laboratórios compartilham evidências sobre o tema, a partir de análises de seus imunizantes contra a COVID-19, como as fórmulas da Pfizer/BioNTech, da Moderna e da Sputnik V.  Os três últimos afirmam que os respectivos imunizantes não favorecem a formação de trombos, nem em circunstâncias raras.

O que sabemos sobre os casos de trombose em vacinas contra a COVID-19?

Na terça-feira (13), a agência norte-americana que regula medicamentos e vacinas, a Food and Drug Administration (FDA), recomendou que o uso da vacina da Janssen fosse paralisado enquanto se investiga seis casos de trombose, após a imunização, notificados em mulheres com idades entre 18 e 48 anos.

Em paralelo, até o começo de abril, as autoridades médicas europeias identificaram 169 casos de Trombose Venosa Cerebral (TVC) em mais de 34 milhões de pessoas na União Europeia que receberam ao menos uma dose da Covishield. Diante do efeito adverso raro, a Dinamarca se tornou, nesta quarta-feira (14), o primeiro país da Europa a suspender o uso completo da fórmula da farmacêutica AstraZeneca.

No entanto, é consenso que, em ambas as vacinas contra a COVID-19, a trombose é um evento adverso raro, ou seja, acomete uma pequena parcela dos imunizados e o risco deve ser considerado diante da emergência da COVID-19. Além disso, pesquisadores apontam que a própria infecção do coronavírus pode acarretar na formação dos trombos, dependendo do quadro. 

Vacinas da Moderna e Pfizer/BioNTech causam coágulos?

“No lugar de restringir a confiança de outras vacinas, isso [a notificação dos casos de trombose] deve realmente inspirar mais confiança na supervisão dessas vacinas e, definitivamente, não deve impedir os indivíduos programados para receber as vacinas da Pfizer e Moderna de se vacinarem”, afirmou o médico Vivek Cherian, em entrevista para o site Insider.

Somente nos Estados Unidos, cerca de 68 milhões de pessoas já receberam as duas doses da vacina da Pfizer/BioNTech ou da Moderna desde dezembro do ano passado. Neste período, as autoridades de saúde dos EUA não verificaram nenhum efeito adverso raro ou casos de trombose entre os imunizados. “Há um exame minucioso dessas vacinas”, afirmou Peter Gulick, professor associado de medicina da Universidade de Michigan.

Sputnik V não verificou casos de trombose cerebral como reação

Nesta quarta-feira (14), o instituto de pesquisa russo Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da vacina Sputnik V, também afirmou que não foram identificados riscos de coágulos como uma reação adversa de seu imunizante contra a COVID-19. “Uma análise abrangente de eventos adversos durante os testes clínicos e durante o curso de vacinações em massa com a vacina Sputnik V mostrou que não houve casos de trombose do seio venoso cerebral”, afirmou o Instituto, em nota.

E a CoronaVac?

Até o momento, a vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, já foi aplicada mais de 25 milhões de vezes no Brasil, de acordo com o  vacinômetro do Ministério da Saúde. No entanto, não foram divulgados publicamente efeitos adversos graves, como casos de formação de coágulos entre os imunizados.

Vale lembrar que, após um estudo de Fase 3, o último antes da eventual aprovação de uma vacina, milhões de pessoas podem ser imunizados com uma mesma fórmula. Neste cenário, é possível verificar complicações extremamente raras e que não foram encontradas nos estudos que envolviam milhares de voluntários, desenvolvidos anteriormente. Por isso, é tão importante que haja esse acompanhamento e, caso alguma reação seja descoberta, especialistas precisam entender se os riscos ainda justificam o uso de determinado composto.

Fonte: Medical X Press e Insider