O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta terça-feira (28) sua defesa por escrito à Polícia Federal no inquérito que investiga a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vez de comparecer presencialmente ou por videoconferência para prestar depoimento, o parlamentar encaminhou um documento de sete páginas com seus esclarecimentos.
A oitiva havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A investigação teve início após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em janeiro, na qual afirmou que Lula seria “delatado” e mencionou acusações relacionadas a tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio ao terrorismo, ditaduras e fraudes eleitorais.
Na manifestação enviada à Polícia Federal, a defesa sustenta que o senador não imputou qualquer crime ao presidente. Os advogados argumentam que a expressão “será delatado” significa apenas que uma pessoa poderá ser mencionada por um colaborador em depoimento, sem representar, por si só, a atribuição de conduta criminosa.
A Polícia Federal, no entanto, concluiu que a publicação buscou associar Lula aos crimes listados na sequência da mensagem. Segundo a corporação, o contexto da postagem permite interpretar que o senador vinculou o presidente às acusações mencionadas, justificando o prosseguimento da investigação.
Antes do envio da defesa, os advogados de Flávio Bolsonaro haviam solicitado o adiamento do depoimento, alegando incompatibilidade de agenda em razão de compromissos da pré-campanha presidencial. Alexandre de Moraes rejeitou o pedido, afirmando que a defesa não apresentou comprovação suficiente da impossibilidade de comparecimento nem indicou uma data alternativa dentro do prazo disponibilizado pela Polícia Federal.
Com a entrega da manifestação escrita, o inquérito segue para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá avaliar os elementos reunidos pela investigação e decidir sobre os próximos desdobramentos do caso.
Com informações do DCM





