POLÍTICA

Flávio Bolsonaro interrompe campanha para tentar barrar fim da escala 6×1; entenda

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) decidiu suspender temporariamente compromissos de campanha para acompanhar, em Brasília, as articulações no Congresso Nacional contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A movimentação ocorre justamente no momento em que a proposta avança no Senado e passa a integrar a agenda política do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

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A PEC defendida pelo governo prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além do fim do modelo em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de atividade para ter apenas um dia de descanso. O texto aprovado pela Câmara mantém dois dias de folga por semana e deve ser analisado pelo Senado.

Flávio Bolsonaro passou a atuar diretamente na construção de uma alternativa à proposta apoiada pelo governo. O senador é um dos defensores de uma PEC apresentada pelo também senador Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha, que propõe um modelo baseado nas horas efetivamente trabalhadas e maior flexibilidade para a organização da jornada.

A estratégia da oposição é evitar que o fim da escala 6×1 avance sem alterações no Congresso. Parlamentares ligados ao PL têm apresentado emendas e defendido mudanças no texto em tramitação no Senado. Entre as propostas discutidas estão alterações nas regras de transição, na negociação coletiva e na forma de organização das jornadas.

A mobilização ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026. A proposta de redução da jornada e ampliação dos períodos de descanso ganhou espaço na agenda do governo Lula e tem potencial para se transformar em uma das principais pautas trabalhistas da campanha presidencial. Flávio Bolsonaro, por sua vez, passou a tratar a discussão como uma questão estratégica para sua candidatura.

Além de acompanhar as discussões diretamente no Congresso, Flávio pretende mobilizar a bancada de oposição para tentar modificar a proposta. A avaliação entre aliados é que uma eventual aprovação do texto sem mudanças poderia fortalecer politicamente Lula durante a campanha.

A PEC precisa ser aprovada em dois turnos no Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação. Caso sofra alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar para nova análise dos deputados.

Com a suspensão dos compromissos eleitorais, Flávio Bolsonaro passa a concentrar esforços na articulação parlamentar em torno da jornada de trabalho. A disputa pela proposta coloca governo e oposição em lados opostos de uma das principais discussões sobre direitos trabalhistas em tramitação no Congresso neste período eleitoral.

Com informações do DCM

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