O banqueiro Daniel Vorcaro acusou a Polícia Federal (PF) de ter rejeitado uma proposta de delação premiada com o objetivo de proteger o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A acusação foi feita durante um depoimento sigiloso ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizado na semana passada. Segundo relatos sobre a oitiva, porém, Vorcaro não apresentou provas ou documentos que sustentassem as afirmações.
O depoimento foi solicitado pela defesa do banqueiro, que alegou que ele estaria sendo ameaçado por policiais federais. Diante da alegação, Mendonça determinou que Vorcaro fosse ouvido sem a presença de representantes da PF.
Durante a oitiva, o banqueiro afirmou ter recebido recados ameaçadores de agentes federais após sua prisão. Também reclamou dos procedimentos adotados durante sua transferência, relatando que teria sido levado com os olhos vendados de uma penitenciária federal de segurança máxima para a carceragem da Superintendência da PF. De acordo com os relatos, entretanto, nenhuma dessas acusações foi acompanhada de elementos concretos apresentados por Vorcaro.
Acusação envolve diretor-geral da PF
A principal acusação apresentada por Vorcaro envolve Andrei Rodrigues. O banqueiro afirmou que sua proposta de colaboração premiada teria sido barrada pelos investigadores porque eles não queriam que ele revelasse informações sobre sua relação com o diretor-geral da PF.
Rodrigues participou, em 2024, de um evento em Londres custeado pelo Banco Master. O episódio passou a ser questionado depois que veio a público, especialmente porque o diretor-geral não havia informado inicialmente quem havia arcado com as despesas de sua viagem e hospedagem.
Segundo Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) teria demonstrado interesse em avançar com a colaboração, mas a PF teria impedido o acordo. O banqueiro, contudo, não apresentou mensagens, documentos ou outros elementos que comprovassem essa versão.
O depoimento ocorreu em 27 de agosto, mesmo dia em que Vorcaro deveria prestar depoimento à Polícia Federal por videoconferência em outro inquérito. A oitiva foi cancelada sob a justificativa de problemas técnicos. Posteriormente, uma equipe do gabinete de André Mendonça foi até a unidade prisional da Papudinha para ouvir o banqueiro, com acompanhamento de um integrante da PGR.
Vorcaro mantém negativas
Durante a oitiva, Vorcaro também voltou a negar a prática de crimes financeiros. Segundo seu relato, os problemas apontados nas investigações seriam decorrentes de “erros” relacionados a disputas empresariais.
O banqueiro defendeu ainda a operação envolvendo a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). As investigações apontam que o negócio envolveu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado consideradas falsas e provocou prejuízo bilionário ao banco do Distrito Federal.
Relatos de pessoas que acompanharam o depoimento indicam que Vorcaro forneceu poucos elementos concretos sobre os temas abordados e demonstrou resistência em detalhar algumas informações, alegando temor das consequências.
O banqueiro também voltou a falar sobre seus contatos com integrantes da cúpula do sistema de Justiça. Mensagens obtidas durante as investigações mostram conversas entre Vorcaro e o então procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas pelo advogado Ciro Soares.
Na quarta-feira (2), Gonet pediu a nulidade da investigação relacionada à relação de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes e com o próprio procurador-geral.
O depoimento ao ministro André Mendonça acrescentou novas acusações à disputa envolvendo Daniel Vorcaro, a Polícia Federal, a PGR e integrantes do STF. Até o momento, contudo, as acusações feitas pelo banqueiro contra a PF e Andrei Rodrigues permanecem sem provas apresentadas por ele que sustentem sua versão.
Com informações do DCM





