Anova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (21), mostra mudanças na percepção dos eleitores que recebem o Bolsa Família em relação à disputa presidencial de 2026. Entre os beneficiários, aumentou o percentual dos que dizem temer uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, caiu a parcela que aponta o receio de uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O levantamento é o primeiro realizado após o governo federal anunciar, na quinta-feira (17), um aumento de cerca de 15% no valor do benefício. A medida foi criticada por adversários de Lula, que classificaram o anúncio como “eleitoreiro” e “ilegal”.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, 59% afirmaram temer uma vitória de Flávio Bolsonaro, contra 56% na pesquisa de 14 de setembro. Em 7 de setembro, o índice era de 51%. A variação da última semana, de três pontos percentuais, está dentro da margem de erro.
No mesmo grupo, o percentual dos que disseram ter mais medo de uma reeleição de Lula caiu de 34% para 29% entre os levantamentos de 14 e 21 de setembro. A oscilação também está no limite da margem de erro.
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os números podem representar um primeiro sinal de repercussão do anúncio do governo sobre o benefício.
Diferença entre beneficiários e não beneficiários
Entre os eleitores que não recebem o Bolsa Família, o cenário apresenta movimento diferente. O percentual que aponta medo de uma vitória de Flávio caiu de 39% para 37% em uma semana, variação que também está dentro da margem de erro, de três pontos percentuais.
Já o temor de uma eventual reeleição de Lula permaneceu praticamente estável nesse grupo, oscilando entre 46% e 47%.
A pesquisa espontânea, na qual os entrevistados indicam seus candidatos sem receber uma lista de nomes, também registrou mudança entre os beneficiários do programa. O percentual que declarou voto em Lula passou de 37% para 42% entre 14 e 21 de setembro. O apoio a Flávio Bolsonaro variou um ponto percentual no período.
Interesse pela eleição aumenta entre beneficiários
Outro dado que chamou atenção foi o crescimento do interesse dos beneficiários do Bolsa Família pela eleição. Em 14 de setembro, 25% afirmavam estar “muito interessados” no pleito. Uma semana depois, o índice chegou a 35%, aumento acima da margem de erro.
Apesar das oscilações entre os diferentes segmentos do eleitorado, os números ainda não mostram crescimento consolidado de Lula nos cenários de intenção de voto após o anúncio do reajuste do benefício. Nas simulações de segundo turno, o desempenho do presidente permanece dentro da margem de erro.
No cenário de primeiro turno apresentado pela nova pesquisa, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados numericamente pela primeira vez durante a atual campanha.
A Quaest entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 17 e 20 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06004/2026.
Com informações da Revista Fórum





