O traficante Aldo Palmito dos Santos, conhecido como “Matemático” ou “Bruxo”, é o principal alvo da Operação Equação Final, deflagrada nesta quinta-feira (8) pela FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) na Bahia.
Ele é apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP) no sudoeste do estado. Na Bahia, a facção possui ligação com outro grupo criminoso, o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Preso em São Paulo desde maio deste ano, Aldo é uma liderança criminosa com atuação nas regiões de Ipiaú, Ubatã e municípios próximos. Segundo as apurações policiais, ele exercia papel de comando na logística de drogas e armas e teria ordenado homicídios na região. A investigação que resultou na operação desta quinta-feira avançou a partir da prisão da liderança em São Paulo.
De acordo com a Polícia Civil da Bahia, 20 faccionados já foram identificados e capturados durante o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. As prisões aconteceram nas cidades de baianas de Jequié, Ipiaú, Dário Meira, Ubatã, Nova Ibiá, Gongogi e Itacaré.
Além disso, a polícia informou também que 15 suspeitos foram localizados nos municípios da região sudoeste e outros cinco em cidades do Sul da Bahia. Os envolvidos têm histórico criminal por homicídios, associação criminosa e envolvimento com o tráfico de drogas.
Além das prisões e das buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de contas, bens e outros valores pertencentes aos criminosos. O bloqueio pode alcançar até R$ 15 milhões.
‘Matemático’ ou ‘Bruxo’ já estava preso em São Paulo
Segundo a polícia, mesmo preso, os investigadores identificaram que “Matemático” continuava exercendo influência sobre a estrutura criminosa. Por isso, a Justiça acolheu o pedido dos policiais para que ele seja transferido para um presídio federal de segurança máxima.
Investigação cita ligação com o PCC
Embora as informações anteriores sobre Aldo o apontem como liderança do TCP, os autos que embasaram a Operação Equação Final, obtidos pela reportagem, apontam a organização criminosa ligada ao PCC.
A investigação descreve uma estrutura com atuação em Ubatã, Ipiaú, Dário Meira, Gongogi, Itagibá e outras cidades da região, além de municípios de São Paulo, Guarulhos e a capital do estado.
O que a polícia investiga
De acordo com a Polícia Federal (PF), a organização é investigada por tráfico de drogas, homicídios, extorsão e posse e porte ilegal de armas de fogo. A apuração identificou diferentes funções atribuídas aos investigados, desde o fornecimento e armazenamento de drogas e armas até transporte, distribuição, revenda e movimentação financeira.
Quem são os principais alvos
Fornecimento de drogas e armas
Adeilton Santos de Jesus é apontado como fornecedor de entorpecentes e armas de fogo para o grupo. Segundo a investigação, ele negociava cocaína e armamentos, além de exibir armas nas redes sociais.
Aliel da Silva Ferreira aparece relacionado ao armazenamento e distribuição de drogas.
Logística e armazenamento
Daiane da Silva Pinheiro Moraes é apontada como responsável pela guarda, fracionamento e distribuição de entorpecentes, além do controle de estoque.
Glebson Guilherme Almeida Santos, conhecido como “Cava”, é apontado como integrante do setor logístico. Segundo os autos, ele realizava o transporte de drogas e também alugava e mantinha imóveis utilizados pela organização.
Jonh Maicon Mendes de Oliveira, o “Fantasma”, aparece relacionado à guarda e distribuição de entorpecentes e ao controle de acesso e segurança de integrantes.
Leonardo de Jesus Souza Lira é apontado como responsável pelo transporte de cargas de drogas e pela alteração de rotas para evitar barreiras policiais.
Luccas Santos aparece relacionado à guarda e liberação fracionada de entorpecentes.
Luizito Cardoso Couto Júnior, conhecido como “Açougue”, é apontado como responsável pelo recebimento e transporte de drogas para revenda.
Marcos Ryan de Jesus Silva aparece relacionado ao armazenamento de grandes quantidades de drogas.
Noel Argolo dos Santos Neto é apontado como responsável pelo fracionamento e preparação de entorpecentes para comercialização.
Revenda e distribuição
Arthur Vinicius Dorotea Marques, conhecido como “Cebola”, é apontado como integrante da rede de revenda, com negociações envolvendo haxixe e maconha.
Caio Sales dos Santos aparece relacionado à revenda de drogas, cobrança e administração de pontos de venda.
Caliel Afonso Santana Alves é apontado como integrante da rede de comercialização de cocaína e maconha.
Carlos Santos de Jesus aparece nas investigações como negociador de diferentes variedades de maconha.
Cristiele de Jesus Silva é apontada como integrante da revenda de cocaína e fracionamento de crack.
Daniel Santos Duvale aparece relacionado à aquisição de grandes quantidades de crack e possui, segundo os autos, registros anteriores por tráfico.
Eduardo de Oliveira Santos é apontado como revendedor de entorpecentes.
Fagner Silva dos Santos aparece relacionado à aquisição e repasse de maconha e skank.
Fernanda Santana dos Santos é apontada como negociadora de valores envolvendo óleo de cannabis e maconha.
Gabriel Santos da Silva aparece relacionado à revenda e à expansão da clientela.
Giliano dos Santos Santana é apontado como comprador e distribuidor, além de atuar na movimentação financeira por meio de contas.
Hércules Raimundo Viana Calmon é apontado como revendedor que adotava estratégias para reduzir a exposição nas entregas.
Iago Santana de Brito, conhecido como “Reptiliano”, aparece como revendedor e também possuía, segundo os autos, mandado de prisão em aberto por homicídio qualificado.
Jamile Santos da Silva, a “Kurama”, é apontada como responsável pela comercialização, guarda e entrega de drogas, utilizando a própria residência como base logística.
Jeferson Santos Silva aparece relacionado à distribuição de crack e aos acertos financeiros.
Luan Ribeiro da Conceição é apontado como integrante da rede de revenda, com conexões em São Paulo.
Melquíades Araújo Oliveira Júnior aparece relacionado à aquisição de maconha e skank para revenda.
Rafaela Cardoso de Jesus é apontada como negociadora de diferentes tipos de entorpecentes e responsável pelo controle de pagamentos.
Ramon Jesus Santos aparece relacionado ao abastecimento local de drogas e possui antecedentes por tráfico, segundo os autos.
Ronei dos Santos Pires é apontado como subordinado nas atividades de abastecimento e comercialização.
Contas de terceiros e núcleo financeiro
A investigação também identificou pessoas apontadas como responsáveis por disponibilizar contas bancárias para movimentação de valores.
Uma delas é Ediele Jesus dos Santos, apontada como responsável por emprestar contas para receber e fazer circular dinheiro, recebendo comissões pelas operações. Já Michelle Carlos dos Santos aparece relacionada à disponibilização de contas e intermediação de negócios investigados.
A polícia identificou também que um assessor técnico municipal, Uelson Barbosa de Oliveira, é apontado como responsável por disponibilizar contas e ocultar patrimônio que, segundo a investigação, seria incompatível com a renda declarada.
Empresas também foram atingidas
Além das pessoas físicas, a Justiça determinou o bloqueio de contas de empresas apontadas como possíveis estruturas utilizadas para movimentação patrimonial.
Entre elas estão a ALV Intermediações e Negócios Ltda., a RT Intermediações e a Barbosa Intermediações e Negociações Ltda, localizadas em São Paulo. A documentação também cita Camilly de Souza Freire como pessoa física utilizada, segundo a investigação, como interposta para ocultação patrimonial.
O que a Justiça determinou
A decisão judicial que deu origem às medidas foi assinada em 3 de setembro de 2026 pelo juiz Carlos Eduardo da Silva Camillo, da Vara Criminal da Comarca de Ubatã. A representação foi apresentada pela Polícia Federal, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Bahia (FICCO/BA), em conjunto com a Polícia Civil da Bahia, por meio da 7ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (7ª COORPIN).
Inicialmente, a decisão decretou 38 prisões preventivas. Posteriormente, duas foram retiradas por erro material. Com isso, o número de mandados de prisão preventiva válidos passou para 35. A Justiça também autorizou buscas em 38 endereços. Outro conjunto de medidas atingiu 42 titulares de contas, entre pessoas físicas e jurídicas, com limite de R$ 500 mil por CPF ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Também foram autorizadas medidas relacionadas à quebra dos sigilos telefônico e telemático dos aparelhos apreendidos para perícia e extração de dados.
As medidas são executadas na Bahia e em São Paulo, nos municípios de Ubatã, Ipiaú, Jequié, Dário Meira, Gongogi e Itagibá, além de Guarulhos e São Paulo.
Participam da operação equipes da Polícia Civil da Bahia, Polícia Militar da Bahia, FICCO de São Paulo e Polícia Civil de São Paulo, entre outras unidades. A FICCO/BA é composta pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar da Bahia, Polícia Civil da Bahia, Polícia Penal da Bahia, Secretaria Nacional de Políticas Penais e Secretaria de Segurança Pública da Bahia.
Com informações do Bnews





