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Médico denuncia que foi dopado em clínica após ser internado à força pelos pais por ser gay

Um médico de 27 anos denunciou ter sido internado de forma involuntária em uma clínica de reabilitação em Teresina e submetido ao uso de medicações sem consentimento. O caso ocorreu no Centro de Reabilitação Restaurar, de onde ele foi retirado na quarta-feira (22) com o auxílio de sua advogada e de policiais.

Segundo o relato do jovem, que teve a identidade preservada, a internação foi motivada por sua orientação sexual. Ele afirmou que seus pais alegaram dependência química para justificar a internação. Durante o período de cerca de 40 dias na clínica, o médico relatou que ficou sem acesso ao celular e foi medicado contra sua vontade.

A retirada do paciente foi conduzida pela advogada Juliana Irineu, que se dirigiu ao local acompanhada de policiais. Após a ação, representantes da clínica foram levados à Central de Flagrantes para prestar esclarecimentos. Os pais do médico não compareceram à delegacia.

De acordo com a defesa, a internação ocorreu sem ordem judicial e sem laudo médico prévio que justificasse a medida. A advogada informou que o paciente passou por avaliação psiquiátrica já dentro da clínica, que teria apontado dependência química. No entanto, ela afirmou que o cliente relatou uso esporádico de substâncias, sem prejuízo à sua atividade profissional.

O médico teria sido internado no dia 17 de março e conseguiu entrar em contato com amigos apenas no último fim de semana, após obter acesso a um telefone. A partir disso, contratou a advogada, que tentou um pedido de habeas corpus durante o plantão judiciário, sem sucesso inicial.

Após prestar depoimento na delegacia, o médico deixou o local sem informar seu destino, e até o momento não há informações sobre seu paradeiro.

Segundo a advogada, o caso deve ser analisado pela Justiça criminal, que irá avaliar as circunstâncias da internação e eventuais responsabilidades.

Com informações do Bnews

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