A brasileira naturalizada norte-americana Camila Dias Briote é investigada por autoridades do Brasil e dos Estados Unidos sob suspeita de envolvimento em um esquema de desvio e revenda de joias de alto valor. O caso foi divulgado em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Segundo as investigações, Camila teria recebido joias sob consignação para revenda, mas não teria efetuado os pagamentos aos proprietários nem devolvido as peças. As autoridades brasileiras estimam que o prejuízo possa chegar a US$ 20 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 100 milhões.
Relatos apresentados na reportagem apontam perdas milionárias. Uma das vítimas afirmou ter entregue aproximadamente 50 peças avaliadas em US$ 500 mil sem receber o valor correspondente. Outra relatou ter aceitado um cheque como pagamento parcial, mas o documento teria sido devolvido por falta de fundos.
O advogado André Barbieri, que representa parte dos denunciantes, informou que um dos clientes teve prejuízo estimado em US$ 7 milhões.
De acordo com advogados ouvidos pela reportagem, Camila se apresentava como representante de joalherias e empresas do setor. O modelo de atuação consistiria em retirar peças para revenda e realizar pagamentos inicialmente, até que os atrasos e a ausência de repasses passassem a ocorrer.
Segundo o advogado Arthur Migliari, o esquema evoluiu para a retenção dos valores obtidos com a venda das peças. As investigações incluem mensagens e áudios atribuídos à investigada, nos quais ela prometia regularizar os pagamentos.
A maior parte dos casos teria ocorrido nos Estados Unidos, principalmente no sul da Flórida, onde Camila possui imóvel. O caso passou a ser investigado pelo Federal Bureau of Investigation (FBI).
Segundo relatório citado pela TV Globo, centenas de joias foram localizadas em casas de penhor na Flórida após rastreamento realizado pelas autoridades. Parte das peças ainda possuía etiquetas dos fornecedores originais.
As apurações indicam que algumas joias teriam sido penhoradas por valores muito abaixo do mercado. Um dos exemplos mencionados foi um colar de turmalinas avaliado em cerca de US$ 120 mil, que teria sido utilizado como garantia em uma operação de US$ 6 mil.
Além das investigações relacionadas às joias, Camila Dias Briote responde desde 2024 a um inquérito por estelionato no Brasil envolvendo bolsas de luxo, em um caso cujo prejuízo ultrapassaria R$ 4 milhões.
Em nota enviada à TV Globo, a defesa da investigada afirmou atuar apenas no Brasil e contestou as acusações. Os advogados João Eugenio Oliveira e Rafael Garcia Campos declararam que as denúncias não possuem respaldo jurídico nem provas de fatos ocorridos em território brasileiro. A defesa também afirmou desconhecer processos em andamento no exterior.
As informações são do Bnews





