Novas mensagens protocoladas pela defesa do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal revelam que os procuradores que atuaram na Operação Lava Jato tinham o petista como “prioridade número 1”.

Em diálogo de 5 de março de 2016, um dia depois do ex-presidente ser conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal, a procuradora Carolina Rezende disse que “depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça”.

A declaração faz referência ao discurso que o petista fez após prestar depoimento à PF. Na ocasião, Lula afirmou  que “se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo”.

Para os advogados do petista, a “mensagem confirma integralmente o direcionamento das ‘delações premiadas’ para atingir alvos pré-definidos, em especial, o aqui Reclamante, tal como sempre foi exposto por esta defesa”.

Na mesma data, os procuradores combinaram de emitir uma nota oficial em favor do então juiz Sergio Moro por
terem identificado que o então magistrado era vítima de acusações indevidas.

“O fundamento maior da nossa nota é: não deixamos um amigo apanhar sozinho. Vamos torcer pra esta semana as coisas se acalmarem e conseguirmos mais elementos contra o infeliz do Lula”.

Na terça-feira 9, por quatro votos a um, a 2ª Turma do STF reforçou a autorização do compartilhamento, com a defesa do ex-presidente Lula, das mensagens trocadas pelo ex-juiz Sergio Moro e pelos procuradores da Operação Lava Jato.

Votaram a favor da manutenção da decisão o próprio Lewandowski, relator da ação, e os ministros Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Edson Fachin, vencido, se manifestou contra o uso dos diálogos por Lula e defendeu que o plenário da Corte deve analisar a validade do material.

Os ministros que seguiram Lewandowski – e o próprio relator – ressaltaram que o julgamento de hoje não chancela a legitimidade do material. Lewandowski, no entanto, frisou a relevância das mensagens.

“É extremamente grave e impactante o que veio à tona e deve causar perplexidade em todos aqueles com o mínimo conhecimento do que seja o devido processo legal. Não estou entrando no mérito, apenas concedi à defesa que tivesse acesso a elementos de convicção que estavam em poder do Estado e que se encontravam no bojo de uma ação penal na qual os tais hackers foram condenados com base inclusive numa primeira perícia no material arrecadado”, disse Lewandowski.

Fonte: Carta Capital