Nesta terça-feira (27), a comunidade de Ipirá foi abalada por uma tragédia que ceifou a vida de Yasmin Santos Oliveira, de apenas 5 anos. Ela morreu após cair de um veículo escolar em movimento depois que a porta se abriu repentinamente na zona rural do município. Contudo, a fatalidade desencadeou uma onda de denúncias que revelam as precárias condições do transporte escolar no município, expondo crianças a riscos desnecessários.

A indignação de pais e alunos se manifestou nas redes sociais, onde inúmeras denúncias destacam o fato de veículos sucateados, que deveriam ter sido aposentados há anos, estarem sendo utilizados para transportar estudantes.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), veículos destinados à condução coletiva de escolares não podem ter mais de dez anos de fabricação. No entanto, o veículo envolvido no acidente, uma Chevrolet Veraneio, teve sua fabricação encerrada em 1994, o que significa que, no mínimo, desde 2004 não deveria estar mais em operação no transporte escolar.

A constatação dessa violação levanta sérias questões sobre a fiscalização e o cumprimento das regulamentações de segurança no transporte de estudantes em Ipirá. A idade avançada do veículo não só representa um descumprimento claro do CTB, mas também coloca em xeque a eficácia das medidas de monitoramento e controle adotadas pelas autoridades competentes.

As denúncias também apontam para a prática recorrente de superlotação, agravando os riscos inerentes ao transporte. Alunos e pais relatam casos em que veículos, como o modelo envolvido no acidente, projetados para comportar até oito passageiros, transportam o dobro de sua capacidade. Essa situação não só viola normas de segurança, mas coloca em xeque a integridade física dos estudantes.

Além dos problemas de superlotação e veículos inadequados, surge outra irregularidade grave: a ausência de monitores nos transportes destinados a crianças. A falta de supervisão adequada aumenta a vulnerabilidade dos alunos durante o trajeto, potencializando os perigos já presentes.

O descontentamento da comunidade também se estende à Câmara de Vereadores de Ipirá, acusada de fechar os olhos para as irregularidades na gestão municipal. Manifestações contrárias à inação da câmara têm ganhado força, clamando por uma postura mais ativa na fiscalização e na busca por soluções para os problemas que afetam a segurança e o bem-estar dos estudantes.

Diante desse cenário alarmante, espera-se que as autoridades competentes tomem medidas imediatas para corrigir as falhas no transporte escolar, garantindo que nenhuma família tenha que enfrentar a dor de perder um ente querido devido à negligência e falta de cuidado com a segurança dos estudantes em Ipirá.

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