A nova pesquisa BTG/Nexus mostra que Flávio Bolsonaro enfrenta um problema central no eleitorado feminino. No primeiro turno, Lula aparece com 48% entre mulheres, contra 29% do senador do PL. Em um eventual segundo turno entre os dois, a vantagem do presidente vai a 55% contra 36%.
O recorte de potencial de voto reforça a dificuldade. Entre mulheres, 57% dizem que votariam em Lula ou poderiam votar nele. No caso de Flávio Bolsonaro, esse índice é de 38%. A rejeição segue caminho inverso: 58% das eleitoras afirmam que não votariam no senador de jeito nenhum, contra 41% que dizem o mesmo sobre Lula.
O dado atinge uma das principais fragilidades da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A BTG/Nexus mostra que, no conjunto do eleitorado, Lula lidera o cenário estimulado de primeiro turno por 42% a 34% e aparece numericamente à frente no segundo turno, por 47% a 44%. Entre mulheres, porém, a diferença é maior e mais estrutural.
A crise pública com Michelle Bolsonaro aumenta o risco para o senador. A ex-primeira-dama, que comanda o PL Mulher e tem força própria no eleitorado conservador, tornou pública a disputa com o enteado depois de afirmar que foi desrespeitada por ele em meio às articulações do partido no Ceará.
O impacto completo desse desgaste ainda pode aparecer com mais clareza nas próximas pesquisas. A crise ocorreu às vésperas do campo da BTG/Nexus, feito entre 26 e 28 de junho, e atingiu justamente o segmento em que Flávio Bolsonaro já apresenta maior dificuldade: mulheres, indecisas e eleitoras menos identificadas com o núcleo duro bolsonarista.
Segundo O Globo, a campanha do senador decidiu acelerar um programa voltado exclusivamente para mulheres após a crise com Michelle. A proposta será coordenada por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e terá três eixos: proteção, oportunidades e cuidado. O plano inclui combate à violência doméstica, empreendedorismo feminino, microcrédito, qualificação profissional e economia do cuidado.
A primeira versão do documento será discutida com lideranças femininas da direita, como Tereza Cristina, Bia Kicis e Simone Marquetto. A tentativa é reduzir a rejeição de Flávio Bolsonaro entre mulheres e complementar a bandeira da segurança pública, considerada insuficiente pela própria campanha para ampliar a competitividade do senador nesse eleitorado.






