Lideranças do Centrão avaliam que as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as urnas eletrônicas representaram um “tiro no pé” para sua pré-campanha à Presidência da República. Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, integrantes de partidos de centro acreditam que o episódio aumenta o isolamento político do parlamentar e dificulta a construção de alianças para as eleições de 2026.
A avaliação ganhou força após Flávio afirmar, durante um encontro com diplomatas em Brasília, que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem de equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic. A associação já havia sido desmentida anteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que esclarece que a Smartmatic nunca forneceu urnas utilizadas nas eleições brasileiras.
Nos bastidores, dirigentes de partidos do Centrão afirmam que a retomada de questionamentos sobre o sistema eleitoral tende a afastar eleitores independentes e tornar mais difícil uma composição nacional em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. A leitura é que legendas de perfil mais moderado evitam se associar a discursos que coloquem em dúvida a credibilidade do processo eleitoral brasileiro.
De acordo com a reportagem, o episódio se soma a outros desafios enfrentados pela pré-campanha do senador, como as investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, as repercussões sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e os atritos públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Para lideranças de centro, a sequência de controvérsias tem dificultado a ampliação da base de apoio do pré-candidato.
Enquanto busca consolidar sua candidatura pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro ainda negocia alianças para a disputa presidencial e não anunciou oficialmente o nome que ocupará a vaga de vice em sua chapa. O cenário, segundo dirigentes ouvidos pela reportagem, mantém partidos do Centrão em posição de cautela, aguardando a definição das articulações antes de decidir eventual apoio na corrida ao Palácio do Planalto.
Com informações do DCM





