O prefeito de Campestre do Maranhão (MA), Fernando Bermuda (PSB), é acusado de ameaçar demitir servidores municipais que declararem apoio ou votarem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro. Segundo mensagens divulgadas pelo prefeito em grupos da cidade, a orientação seria para que os funcionários apoiassem o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Em uma mensagem enviada no dia 4 de agosto, durante a convocação de servidores para um culto realizado na Assembleia de Deus, Bermuda escreveu: “Todos Flávio Bolsonaro. Quem votar em Lula após a eleição tá na rua”. O conteúdo foi divulgado pelo Metrópoles e reproduzido pelo Diário do Centro do Mundo.
A pressão também teria aparecido em uma música produzida com inteligência artificial e compartilhada em grupos do município. A letra associa a permanência no emprego público ao apoio ao candidato do PL e afirma que quem não apoiar Flávio Bolsonaro deveria “arrumar a mala e ir pra obra”.
Um servidor da Secretaria Municipal de Educação, ouvido sob condição de anonimato, relatou que as ameaças seriam recorrentes e que funcionários temem represálias por dependerem dos salários para sustentar suas famílias. A prefeitura de Campestre do Maranhão possui 922 servidores, segundo a reportagem.
As mensagens atribuídas ao prefeito também mostram pedidos de apoio a candidatos aliados. Em uma delas, Bermuda afirmou que deputados e senadores de sua base ajudariam a financiar ações no município e pediu que moradores apoiassem “apenas os nossos”. Em outra, relacionou o funcionamento do hospital municipal ao desempenho eleitoral de seus aliados.
A conduta pode ser enquadrada como assédio eleitoral. O Código Eleitoral prevê punições para quem utiliza ameaça ou constrangimento para influenciar o voto de eleitores. A legislação eleitoral também prevê medidas contra eventual abuso de poder político.
Questionado sobre as mensagens, Fernando Bermuda não negou inicialmente o teor das declarações e afirmou que apresentava seu ponto de vista político. Posteriormente, declarou que, caso precisasse reduzir o quadro de funcionários da prefeitura, começaria pelos apoiadores do PT. O prefeito também levantou a possibilidade de que perfis falsos tivessem utilizado seu nome, embora o número associado às mensagens coincidisse com o utilizado por ele nas conversas.
O episódio ocorre durante a preparação para as eleições presidenciais de 2026, em um momento de intensificação das disputas políticas entre apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro. A utilização da estrutura pública municipal para pressionar servidores por posicionamento eleitoral poderá ser analisada pelas autoridades competentes.
Com informações do DCM





