POLÍTICA

Acuado, Flávio Bolsonaro faz elogio à CNBB após atacar bispos católicos do país

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) mudou o tom em relação à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nesta segunda-feira (28). Depois de acusar, no domingo (27), integrantes da entidade de colaborar com o PT na disseminação de uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida, o senador agradeceu pela nota divulgada pela conferência e classificou o documento como “bom” e “esclarecedor”.

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A declaração ocorreu durante uma agenda de campanha no Mercado Municipal de São Paulo. Flávio afirmou que a manifestação da CNBB teria confirmado que era falsa a informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato também voltou a dizer que respeita diferentes religiões e que, por ser evangélico, não pretende interferir nas regras da Igreja Católica.

No dia anterior, porém, Flávio havia feito acusações contra a CNBB. Durante um ato em Goiânia, afirmou que o PT teria ajudado a espalhar a informação falsa “com a ajuda de gente de dentro da CNBB”. O senador não apresentou provas para sustentar a acusação.

A CNBB respondeu às declarações em uma nota publicada no domingo. A entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. Também declarou não integrar estruturas político-partidárias e afirmou que acusações sem fatos e provas atingem injustamente a instituição.

A polêmica teve origem em publicações que associavam Flávio e setores evangélicos à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação não encontra respaldo no plano de governo do candidato. O rumor também foi relacionado a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que foi arquivado em 2008.

A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado a retirada de uma publicação relacionada ao tema. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a ordem em relação a um dos conteúdos, sob o argumento de que a publicação não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro ou seus familiares.

O episódio passou a ocupar espaço na campanha presidencial na última semana antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A disputa em torno da religião também envolveu manifestações de outros políticos e representantes religiosos, enquanto a CNBB reiterou que suas posições eleitorais são orientadas por princípios como democracia, bem comum e liberdade de consciência.

Com informações da Revista Fórum

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