A Polícia Federal deflagrou a Operação Heritage para investigar um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões relacionado a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Entre os principais alvos da operação estão o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil).
As investigações apontam que o suposto esquema teria utilizado uma estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas para ocultar a origem, a movimentação e a destinação dos recursos públicos. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que os valores desviados tenham sido pulverizados por meio dessa engenharia financeira após o acordo envolvendo créditos tributários da operadora de telefonia.
A operação cumpre 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. As ordens foram expedidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e incluem ainda bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, quebra de sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados.
Além de Mauro Mendes e Fábio Garcia, também são alvo das investigações um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a sede da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e o escritório de advocacia de um conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A PF apura se informações privilegiadas sobre o acordo firmado com a Oi foram utilizadas para beneficiar os envolvidos.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso afirmou que confia nas investigações e que colaborará com todas as solicitações da Polícia Federal. Até a publicação das reportagens, Mauro Mendes, Fábio Garcia e os demais investigados citados ainda não haviam apresentado manifestação pública sobre o mérito das acusações. A investigação segue em andamento e não há, até o momento, denúncia formal apresentada pelo Ministério Público nem condenação dos envolvidos.
Com informações do DCM





