O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passou a explorar uma reportagem da revista Veja sobre suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em meio à pressão sobre seu irmão, Flávio Bolsonaro, para esclarecer a destinação de recursos relacionados ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A estratégia ocorre justamente quando se completam 100 dias desde que Flávio prometeu apresentar o contrato e prestar contas sobre os valores recebidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso Dark Horse envolve R$ 61 milhões que, segundo as investigações, foram repassados por Vorcaro, então dono do Banco Master, para financiar a produção do filme sobre o ex-presidente. O episódio passou a ser alvo de apurações e questionamentos sobre a origem e a utilização dos recursos.
A cobrança sobre Flávio ganhou força porque o senador afirmou anteriormente que apresentaria documentos para explicar a operação. Passado o prazo mencionado, porém, a prestação de contas ainda é alvo de questionamentos públicos.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro passou a repercutir informações sobre o caso envolvendo Lulinha. A reportagem da Veja citada pelo deputado trata de mensagens e relações de pessoas próximas ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O material passou a ser utilizado politicamente por setores bolsonaristas durante a campanha eleitoral.
A movimentação ocorre em um cenário de crescente disputa entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. Os dois casos — o de Lulinha e o financiamento de Dark Horse — passaram a ser explorados eleitoralmente pelas duas principais forças políticas envolvidas na disputa presidencial.
No caso de Dark Horse, as investigações também analisam a circulação dos recursos e possíveis conexões com integrantes do entorno político da família Bolsonaro. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar as suspeitas relacionadas ao financiamento da produção, após notícia-crime apresentada em maio. A autorização para a investigação ocorreu em julho.
Eduardo Bolsonaro, que participou da primeira exibição pública de Dark Horse nos Estados Unidos, também teve atuação na divulgação internacional da produção. Na ocasião, ele buscou atrair distribuidores para levar o filme aos cinemas americanos. O diretor Cyrus Nowrasteh chegou a declarar que esperava que a obra contribuísse para eleger Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O financiamento do filme por Vorcaro tornou-se um dos principais pontos de pressão sobre Flávio durante a campanha. O senador foi cobrado publicamente sobre a relação com o ex-banqueiro e sobre o destino dos recursos, enquanto integrantes da família Bolsonaro passaram a direcionar o debate para as investigações envolvendo pessoas próximas ao governo Lula.
Até o momento, as investigações sobre os diferentes casos seguem em andamento e não representam, por si só, condenação dos envolvidos. A disputa política, porém, transformou os episódios em armas eleitorais na corrida presidencial de 2026.
Com informações da Revista Fórum





