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Saiba como iniciou a investigação que levou Deolane Bezerra à prisão novamente e revelou vínculo com o PCC

A investigação que resultou na nova prisão da influenciadora Deolane Bezerra durante a Operação Vérnix teve início há cerca de seis anos, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Segundo informações divulgadas pelo g1, os documentos foram encontrados em 2019 com detentos da unidade prisional e continham mensagens relacionadas ao funcionamento interno do Primeiro Comando da Capital, além de referências a integrantes da cúpula da facção criminosa.

A partir da análise desse material, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil de São Paulo iniciaram investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas, operadores financeiros e pessoas ligadas à organização.

De acordo com os investigadores, uma das pistas que mais chamou atenção nos bilhetes era a menção a uma “mulher da transportadora”, apontada como colaboradora do grupo criminoso. A informação levou os agentes até uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, que, segundo as autoridades, teria sido usada para movimentar recursos atribuídos ao PCC.

As investigações avançaram e revelaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. Conforme o inquérito, um celular apreendido com um dos operadores do esquema continha imagens de depósitos bancários e transferências destinadas a contas ligadas a Deolane Bezerra.

O Ministério Público afirma que a organização utilizava empresas, contas bancárias e patrimônio de alto valor para ocultar a origem do dinheiro movimentado. Os investigadores apontam ainda que a influenciadora mantinha relação próxima com pessoas investigadas por atuar na administração da transportadora.

As apurações indicam que Deolane teria recebido depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021. Segundo os investigadores, mais de R$ 1 milhão teria sido movimentado por meio de depósitos fracionados, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento bancário.

Além da influenciadora, a operação teve como alvo familiares de Marcola, apontado como líder máximo da facção, incluindo irmão e sobrinhos. Mandados também foram cumpridos contra Everton de Souza, conhecido como “Player”, identificado pelas autoridades como operador financeiro do grupo.

A Justiça de São Paulo autorizou seis mandados de prisão preventiva, além do bloqueio de mais de R$ 357 milhões em ativos financeiros e da apreensão de dezenas de veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. Segundo os investigadores, somente de Deolane foram bloqueados R$ 27 milhões, valores cuja origem não teria sido comprovada.

As autoridades afirmam que a prisão preventiva foi decretada diante do risco de destruição de provas, ocultação de patrimônio e continuidade das atividades investigadas.

Deolane Bezerra havia passado as últimas semanas em Roma e retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes da operação. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em imóveis ligados à influenciadora em Barueri. Até a última atualização do caso, a defesa dos investigados não havia se manifestado.

Com informações do Bnews

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