Câmeras de segurança de uma academia localizada no bairro Passarinho, na Zona Norte do Recife (PE), registraram o momento em que um instrutor agarra e morde o ombro de uma aluna sem o consentimento dela. O caso é investigado pela Polícia Civil como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal.
A vítima, que é professora, relatou que o episódio aconteceu no dia 19 de maio e que o caso foi registrado na polícia três dias depois. Nesta quarta-feira (19), porém, ela afirmou ter encontrado o mesmo instrutor novamente trabalhando na Academia ElevaFit.
Segundo a mulher, ela frequentava o estabelecimento havia cerca de um ano e já havia sido alvo de comportamentos que considerava inadequados por parte do homem.
“Ele passava a mão nas minhas costas e falava coisas para o meu lado e eu nunca dei cabimento, porque eu não conhecia ele. Aí ele dizia ‘é resenha'”, relatou ao g1.
No dia do episódio, a professora contou que realizava um exercício quando foi corrigida pelo instrutor. Depois, ele se aproximou e pediu um abraço. Diante da negativa, ele teria agarrado a mulher e mordido seu ombro.
“Eu respondi ‘não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não’. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação.”
Abalada, a vítima disse que inicialmente não sabia como agir, mas procurou uma delegacia três dias após o episódio e registrou um boletim de ocorrência. No dia seguinte, também comunicou o caso à direção da academia e, segundo ela, foi informada de que o funcionário seria afastado.
Durante cerca de três meses, a mulher afirmou não ter mais encontrado o instrutor no estabelecimento. No entanto, a situação mudou na última quarta-feira (19), quando foi voltou à academia e o viu trabalhando normalmente.
“Eu tinha deixado para lá, e nem tinha divulgado o vídeo nem nada, porque não queria manchar o nome da academia, nem prejudizar ele mesmo. A dona da academia disse que eu estava segura, que não iria mais vê-lo na academia, nem pelas redondezas, porque ele morava longe. Ontem, quando vi, ele estava lá, com a mesma roupa dos outros instrutores”, contou.
Após entrar em contato com a delegacia onde havia registrado a ocorrência e relatar que o instrutor havia retornado às atividades, a mulher foi orientada a realizar uma nova queixa. O vídeo que registra a abordagem também foi anexado ao boletim.
O caso é investigado como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. A vítima ainda foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde realizou exame de corpo de delito.
O que diz a academia
Em nota, a academia ElevaFit informou que o instrutor não foi recontratado ou readmitido, mas que, profissionais da equipe precisaram se afastar por questões médicas e que a gestão tentou encontrar substitutos, mas não conseguiu, e por isso chamou o ex-funcionário “excepcionalmente para a cobertura de duas diárias”.
“Na ocasião, antes dessa cobertura pontual, o antigo profissional informou à administração que não havia recebido qualquer notificação, intimação ou chamado de autoridade relacionado ao episódio. Até aquele momento, a academia também não tinha conhecimento de novos desdobramentos formais do caso”, informou.
A empresa disse, ainda, que a atuação do profissional ocorreu “de maneira excepcional e temporária, sem qualquer reintegração ao quadro da academia” e que adotou as providências cabíveis assim que tomou conhecimento do caso.
“A instituição não compactua com a conduta relatada e permanece à disposição para colaborar com a aluna e com as autoridades competentes. […] A instituição reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus alunos e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários”, diz a nota.
Com informações do Bnews





