Zenildete Souza Pereira de Carvalho, de 60 anos, tornou-se a pessoa mais velha com cefaleia crônica diária a passar por um procedimento inovador pelas mãos do especialista em dor pela Associação Médica Brasileira (AMB), Bruce Salles Fernandes. Zenildete, que sofreu por mais de 42 anos com dores crônicas, finalmente encontrou alívio em um procedimento que promete ser um divisor de águas para pacientes em condições análogas.

Ao narrar sua jornada pela cura à WA, ela se descreve como professora aposentada, mãe, avó e uma mulher apaixonada pelo sol e pela própria existência, que sonha em recuperar a qualidade de vida. Zenildete também é uma veterana na vida pública, como uma figura que sempre foi apaixonada por política, além de se considerar uma católica de muita fé.

Bruce Salles Fernandes, especialista em medicina intervencionista da dor e anestesiologia, que acompanhou o caso de Zenildete, tem se destacado por oferecer tratamentos inovadores para pacientes que enfrentam dores crônicas. Zenildete se depara há mais de quatro décadas com enxaquecas intermitentes e passou pelo procedimento, realizado com sucesso, que consistiu em uma radiofrequência pulsada associada à hidrodissecção dos nervos supraorbital, auricolotemporal e occipital maior à direita, guiadas por escopia e ultrassonografia.

A luta de Zenildete contra a cefaleia crônica a levou a procurar inúmeros médicos e especialistas pelo país. Ela chegou a se consultar com uropatas e neurologistas e admite nunca ter recorrido a qualquer abordagem mística. “Desculpe-me, mas nunca acreditei”, explicou.

Depois de diversos exames de imagem e anos de tratamentos ineficazes, Zenildete tomou conhecimento de um médico que realizava procedimentos com resultados promissores no tratamento de enxaquecas em Guanambi, cidade do interior da Bahia, onde se localiza o Instituto da Dor. Agarrada ao resto de esperança que ainda lhe restava, Zenildete decidiu marcar uma consulta. “Não tive o menor medo, eu fui movida pela busca de recuperar minha qualidade de vida”, relatou.

A professora aposentada afirmou que o médico conseguiu identificar o ponto da dor tocando cuidadosamente na sua cabeça. Ela descreveu à WA o momento em que “levantou de dor ao tocar em uma região sensível”. Os três nervos envolvidos, conhecidos como trigêmeos, foram o foco do procedimento. “Eu tinha que descobrir onde ele me machucava e onde ele machucava a dor”, explica ao se referir à região onde mais a incomodava.

Após mais de quatro décadas de dor, Zenildete estava disposta a tentar qualquer coisa para encontrar alívio. “Eu já estava cansada e já havia desistido de qualquer tratamento”, alegou. No entanto, com o apoio do seu marido, o vereador Juscelino Barbosa, e de toda a sua família, incluindo seus filhos e neta, ela resolveu dar mais uma chance para a esperança. “Eu apenas queria me ver livre da dor, queria me curar”, disse.

O dia do procedimento

No dia do procedimento, Zenildete não surpreendeu a sua família ao aparecer produzida – muito elegante – e de salto, como se estivesse trajada para a cerimônia do Oscar ou para uma noite de gala na Ópera no Théâtre de l’Europe, em Paris. “Estava de cílios grandes e perfumada. Fui confiante; todos estavam nervosos, menos eu. Curiosamente, não senti dor de cabeça à véspera”, contou.

O procedimento, que durou cerca de quatro horas, foi realizado com Zenildete consciente, pois ela precisava identificar as cargas sobre os nervos durante o tratamento. “Não houve necessidade da anestesia geral, mas fiquei deitada de bruços e alguns poucos minutos de barriga para cima”, completou.

Após o procedimento, que tem livrado gradualmente as suas antigas dores crônicas, Zenildete afirmou ter levantado e ido embora sem dor de cabeça, retornando para Jussiape, a mais de 260 km de distância, na região da Chapada Diamantina, na Bahia, onde mora com sua família, com um sorriso no rosto. “Eu me senti outra pessoa, livre da dor que havia sido minha companheira por décadas”, destacou.

Ela também compartilhou que antes do procedimento a cefaleia afetava sua rotina diária, inclusive precisou adotar o uso constante de óculos escuros para aliviar o incômodo. Ela recorria ao silêncio absoluto e frequentemente enfrentava fortes enjoos. “Nunca fiquei um dia sequer sem sentir dor de cabeça; eu convivia com a dor pela manhã, tarde e noite. Cheguei a tomar morfina, e ainda assim a dor não passava”, revelou. “As madrugadas eram os piores momentos da minha vida, principalmente, entre as 2h e as 9h da manhã. Ficava em um quarto escuro, sentia enjoos terríveis por qualquer motivo e precisava de silêncio absoluto para que o meu quadro não se agravasse”, completou.

Zenildete admitiu que já havia recorrido a vários medicamentos, como o dexametasona, dipirona, vonau e cetoprofeno, alguns deles injetados na veia, além de morfina, sem obter alívio eficaz. Além de medicamentos que agem diretamente no sistema nervoso central, ela chegou a fazer uso da sumaxpro 500/85 mg, remédio comumente utilizado para crises de enxaqueca em adultos, de oito em oito horas. “Cheguei a ficar intoxicada devido ao uso excessivo dessa droga”, reiterou. Desde seus 20 anos, ela conviveu com a dor crônica que limitava sua vida de diversas maneiras.

Zenildete revelou que hoje se ajoelha todos os dias para agradecer a Deus por sua nova vida e espera que seu relato inspire a todos a lutarem contra a dor crônica, pois para ela a esperança e a perseverança podem superar até as adversidades mais difíceis.

“Hoje, eu me sinto livre da dor que me perseguiu por uma vida inteira. Às vezes, ainda sinto sinais de um leve incômodo, mas nada comparado ao que eu já senti no passado”, afirmou. O caso de Zenildete, agora livre do sofrimento e com qualidade de vida, transformou-se em um testemunho de resiliência e abre portas para novas esperanças para aqueles que enfrentam condições semelhantes.