A prisão do pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União Brasil), aliado político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ocorreu 19 dias após o lançamento do plano de segurança pública “Brasil sem Medo”, no qual o pré-candidato à Presidência defendeu o endurecimento do combate ao crime e afirmou que “bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança”.
Canella foi preso em flagrante pela Polícia Federal após um fuzil calibre .556, de uso restrito, ser encontrado em seu veículo. Durante a operação, os agentes também apreenderam dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores e munições em endereços ligados ao político. Segundo a investigação, ele é apontado como braço político de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O plano “Brasil sem Medo”, apresentado por Flávio Bolsonaro em 18 de junho, reúne 12 propostas para a área de segurança pública. Entre elas, o senador afirma que criminosos armados com fuzis devem ser abatidos pelas forças de segurança e defende o fortalecimento do combate ao crime organizado. A reportagem destaca que o documento não apresenta medidas específicas voltadas ao enfrentamento da corrupção policial ou da infiltração de organizações criminosas em estruturas do Estado.
Antes da operação da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro havia manifestado apoio público à candidatura de Márcio Canella ao Senado. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o senador classificou o aliado como um político competente e reafirmou apoio integral à sua pré-candidatura.
A investigação da Polícia Federal apura a atuação de uma organização suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar recursos do crime organizado. De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Ao todo, a operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e resultou no sequestro de bens e na suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.
Com informações do DCM





