O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, chamou de “burro” quem afirma que a redução da jornada de trabalho não provocará aumento do desemprego. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (2), durante discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sobre propostas relacionadas ao fim da escala 6×1.
Marinho se posicionou contra a proposta que reduz a jornada de trabalho sem diminuição dos salários. Segundo o senador, a medida aumentaria os custos para as empresas e poderia provocar impactos sobre preços, contratação e manutenção de empregos.
“É óbvio, é ululante, é claro, é transparente, é cristalino. E quem diz o contrário ou tem má-fé ou é burro”, afirmou o senador durante o debate.
A declaração provocou reação de parlamentares favoráveis à mudança na jornada. O senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que a fala também atingiria integrantes do próprio Congresso que defendem o fim da escala 6×1, inclusive parlamentares do PL.
“Vossa Excelência está dizendo que no seu partido tem gente leviana, incompetente e burra?”, questionou Aziz, segundo o relato da discussão.
Pedido de vista
Durante a sessão, Rogério Marinho também apresentou um pedido de vista, que levou o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), a conceder uma hora para análise antes da retomada da votação da proposta.
Marinho e outros integrantes da oposição argumentaram que a discussão estaria ocorrendo em período próximo às eleições e que seria necessário avaliar de maneira mais aprofundada os possíveis efeitos econômicos da redução da jornada.
O senador também criticou a proposta por prever a redução da jornada sem estabelecer, segundo ele, mecanismos de compensação para os empregadores.
A discussão ocorre enquanto o fim da escala 6×1 ganhou espaço no debate eleitoral. A proposta prevê mudanças na jornada semanal dos trabalhadores e é defendida por setores ligados ao governo e por parlamentares de diferentes partidos.
Flávio Bolsonaro é contrário à mudança
A posição de Rogério Marinho está alinhada à estratégia adotada por Flávio Bolsonaro, que tem se manifestado contra o fim da escala 6×1. O senador e candidato à Presidência afirma que a mudança poderia elevar custos para as empresas e provocar desemprego e aumento do custo de vida.
No Senado, Marinho também apresentou uma proposta alternativa que prevê mudanças na forma de contratação e remuneração dos trabalhadores. A iniciativa passou a ser apresentada pela oposição como alternativa ao modelo defendido pelos parlamentares favoráveis ao fim da escala 6×1.
O tema deverá continuar sendo discutido no Congresso Nacional, em meio à pressão de movimentos de trabalhadores pela redução da jornada e à resistência de setores empresariais e parlamentares da oposição.
Com informações da Revista Fórum





