POLÍTICA

Lula leva soberania ao 7 de Setembro enquanto Flávio Bolsonaro mira Moraes na Paulista

O 7 de Setembro deste ano será marcado por agendas políticas distintas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputam espaço no debate eleitoral a menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026. Enquanto Lula participa do desfile da Independência, em Brasília, com a defesa da soberania nacional como uma das principais mensagens do governo, Flávio Bolsonaro convocou apoiadores para um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Lula não fará discurso durante o desfile, mas o governo pretende destacar temas que passaram a ocupar espaço na estratégia eleitoral do presidente, entre eles a soberania nacional e o combate à violência contra as mulheres. Em pronunciamento exibido na noite de domingo (6), Lula afirmou que defender a independência significa também defender a soberania e declarou que o Brasil “não será colônia de ninguém”.

A defesa da soberania ganhou força no discurso do governo em meio aos conflitos comerciais com os Estados Unidos e às tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. A pauta também deverá aparecer nas próximas agendas internacionais de Lula, incluindo a viagem prevista para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O desfile em Brasília terá duração estimada de duas horas e contará com a participação de integrantes do governo, representantes das Forças Armadas e autoridades dos Três Poderes. Entre os temas previstos estão o combate ao feminicídio, a vacinação e referências à Copa do Mundo Feminina de 2027.

Flávio concentra críticas em Alexandre de Moraes

Em São Paulo, Flávio Bolsonaro pretende reunir apoiadores na Avenida Paulista para um ato de campanha marcado por críticas ao ministro Alexandre de Moraes. O senador antecipou a principal palavra de ordem da manifestação ao defender “fora Lula e fora Moraes”.

A estratégia adotada pela campanha é concentrar os ataques no ministro, evitando que as manifestações sejam apresentadas como uma ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal como instituição. Aliados também orientaram Flávio a direcionar as críticas às decisões de Moraes e defender mecanismos institucionais, como um eventual processo de impeachment no Senado.

Flávio chegou a afirmar que faz uma “defesa intransigente” do STF e comparou Moraes a uma “laranja podre” que, segundo ele, não deveria comprometer os demais integrantes da Corte.

A participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também é cercada de cautela. Segundo o DCM, Tarcísio mantém relação institucional com Moraes e resiste a adotar o slogan “Fora Moraes”, buscando evitar que sua presença no ato seja interpretada como adesão à palavra de ordem. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por sua vez, não tem presença prevista na manifestação.

As duas mobilizações ocorrem em um momento de forte disputa política e institucional no país. Enquanto o governo federal utiliza o 7 de Setembro para reforçar mensagens relacionadas à soberania e à unidade nacional, o grupo ligado a Flávio Bolsonaro aposta na mobilização de apoiadores contra Lula e Alexandre de Moraes.

O cenário também ocorre em meio a uma crise interna no STF envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça. Moraes e outros ministros da Corte não devem participar do desfile em Brasília neste ano.

Com informações do DCM

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