O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para bloquear até R$ 72 milhões em bens e valores do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A solicitação foi apresentada ao ministro Flávio Dino e está relacionada às investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Segundo Lindbergh, o bloqueio teria como objetivo garantir uma eventual reparação de recursos públicos caso as investigações confirmem irregularidades na origem dos valores destinados à produção cinematográfica. O parlamentar afirma que os recursos atribuídos a Vorcaro e destinados ao filme ultrapassariam R$ 70 milhões.
A representação também cita um repasse de US$ 1,66 milhão identificado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas e relacionado à administração de recursos destinados ao filme. Segundo o documento apresentado ao STF, esse valor teria elevado o total atribuído a Vorcaro para a produção de cerca de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões.
Lindbergh relaciona os recursos destinados ao filme aos investimentos realizados pela RioPrevidência em ativos ligados ao Banco Master. Segundo informações citadas na representação, o fundo previdenciário do Rio de Janeiro realizou mais de R$ 3,6 bilhões em aplicações relacionadas à instituição financeira. O deputado sustenta que os recursos destinados ao projeto cinematográfico poderiam ter relação com esses investimentos, mas essa associação ainda é objeto de investigação.
O pedido também menciona a Operação Make Up, da Polícia Federal, que apura possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares e entidades relacionadas à produção de Dark Horse. A representação cita ainda transferências e recursos públicos que, segundo Lindbergh, precisam ser analisados em conjunto com os valores destinados ao filme.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Lindbergh afirmou estar convencido de que existe uma ligação entre os recursos da RioPrevidência, Vorcaro e o dinheiro enviado aos Estados Unidos. A declaração, porém, corresponde à avaliação do parlamentar, e não a uma conclusão definitiva das investigações.
Flávio Bolsonaro já confirmou que procurou Vorcaro para buscar recursos para a realização do filme, mas nega irregularidades. O senador afirma que se tratava de uma produção privada e que não ofereceu contrapartidas ao ex-banqueiro.
O pedido agora deverá ser analisado no âmbito do STF. A medida solicitada por Lindbergh não representa, por si só, uma decisão judicial de bloqueio nem uma conclusão sobre eventual responsabilidade de Flávio Bolsonaro.
Com informações da Revista Fórum





