O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) que supostamente afastaria a existência de irregularidades nas conversas mantidas entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A PF negou ter produzido o material, que apresenta sinais de ter sido criado ou manipulado com inteligência artificial.
O suposto relatório começou a circular nas redes sociais após a divulgação de áudios de Nikolas conversando com Vorcaro. O documento afirmava que as interações entre os dois teriam ocorrido em contexto “pessoal e profissional” e que não haveria elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação específica contra o parlamentar.
Análises realizadas por agências de checagem identificaram diversas inconsistências no arquivo. Entre elas estão erros de português, problemas na numeração dos itens, diferenças na logomarca da Polícia Federal e informações conflitantes sobre os períodos analisados. Ferramentas de detecção de conteúdo sintético também apontaram sinais de uso de inteligência artificial.
Outro ponto questionado foi a data indicada no documento. O arquivo menciona 18 de novembro de 2025 como data de extração dos dados relacionados ao celular de Vorcaro. O empresário, porém, havia sido preso pela Polícia Federal em 17 de novembro daquele ano, o que gerou mais uma inconsistência no material apresentado como oficial.
A Polícia Federal confirmou que não produziu o suposto relatório. Segundo a assessoria de Nikolas, o deputado teria apenas republicado o conteúdo encontrado em um portal e retirado a publicação depois de descobrir que o documento era falso.
A circulação do arquivo ocorreu no mesmo período em que foram divulgados áudios nos quais Nikolas pede ajuda a Vorcaro para tratar de um assunto relacionado a um amigo e ex-assessor. Em uma das gravações, o parlamentar solicita auxílio para a liberação de um ativo relacionado à mineração.
O caso também chegou à Justiça Eleitoral. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais determinou que Meta e X preservassem dados de perfis envolvidos na divulgação do documento e solicitou informações que possam ajudar a identificar a origem e a disseminação do material. Nikolas foi notificado para apresentar sua defesa.
A divulgação do documento falso passou, assim, a ser investigada no contexto eleitoral, enquanto a PF reforça que o material que circulou nas redes não corresponde a um relatório produzido pela instituição.
Com informações da Revista Fórum





