POLÍTICA

Filho de Zico admite ter assinado atestado falso para ONG ligada a emenda de Flávio

Bruno de Sá Coimbra, filho do ex-jogador Zico e gestor esportivo, confirmou ter assinado um atestado de capacidade técnica apresentado pelo Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) para viabilizar a execução de uma emenda parlamentar de R$ 200 mil destinada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, porém, o documento não comprovaria uma parceria entre o instituto e a Associação Zico Fazendo a Diferença.

O atestado, datado de abril de 2023, afirmava que o Ifop havia participado de uma parceria com a Associação Zico para a capacitação de 315 equipes do projeto Esporte RJ, realizado entre 2013 e 2015. O documento foi utilizado como comprovação de experiência técnica para a liberação dos recursos federais.

A informação, no entanto, entra em conflito com uma ata de assembleia do próprio Ifop, registrada em cartório em maio de 2022. O documento afirma que a entidade permaneceu inativa e sem realizar atividades entre agosto de 2012 e maio de 2022 — período que inclui os anos da suposta parceria mencionada no atestado.

Bruno Coimbra confirmou que a assinatura no documento é sua, mas afirmou que o objetivo seria atestar a experiência profissional de José Rômulo Oliveira Alves, então ex-colaborador da Associação Zico. José Rômulo atualmente preside o Ifop. Segundo Bruno, o documento acabou sendo elaborado em nome do instituto, embora a intenção fosse comprovar a capacidade técnica do ex-colaborador.

A relação entre antigos integrantes da Associação Zico e o Ifop também passou a ser analisada. José Rômulo ocupava cargo de direção no projeto Esporte RJ, enquanto Fábio Wanderson da Silva Sodré, que também atuou na iniciativa, assumiu posteriormente a vice-presidência do Ifop.

O Ifop recebeu, além dos R$ 200 mil indicados por Flávio Bolsonaro, recursos de outras emendas parlamentares. A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas à utilização de recursos públicos destinados à entidade. Em apuração anterior, também foram identificados indícios de irregularidades na execução de despesas do projeto financiado pela emenda de Flávio.

A investigação busca esclarecer a documentação utilizada para a liberação dos recursos e a aplicação das verbas. As informações disponíveis até o momento não estabelecem, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha participado da elaboração ou apresentação do atestado questionado.

Com informações do DCM

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo