A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo confirmou hoje um terceiro caso da varíola dos macacos no estado. De acordo com a pasta, o paciente é um homem de 31 anos internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, com “um bom quadro clínico”.

Hoje o Rio de Janeiro também confirmou um caso da doença. Com isso, o Brasil tem registrados ao menos cinco casos da varíola dos macacos.

Em nota, a secretaria de Saúde paulista afirmou que o caso é considerado importado, já que o homem tem histórico de viagem para países da Europa. O resultado dos testes feitos pelo Instituto Adolfo Lutz saiu ontem.

“A Vigilância Epidemiológica do município, em parceria com o Estado, monitora o caso e seus respectivos contatos”, informou a secretaria.

Outros dois casos já tinham sido confirmados no estado, também considerados importados: um na capital e um na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo. Além dos casos paulistas e o registrado na capital fluminense, há também uma confirmação em Porto Alegre (RS).

Suspeitas monitoradas

No sábado (11), a Secretaria da Saúde de Minas Gerais informou que foi notificada sobre a morte de uma pessoa por suspeita de varíola dos macacos. Não foram informados detalhes de idade e sexo do paciente, que residia em Uberlândia e trabalhava em Araguari, ambas no Triângulo Mineiro, de acordo com o governo.

Também no sábado, o Maranhão notificou o primeiro caso suspeito no estado. A Secretaria de Estado da Saúde informou que o Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão iniciou a análise das amostras. O paciente é um homem de 30 anos, residente em São Luís, internado no último dia 8 de junho na rede pública municipal.

No país também há casos suspeitos em Pacatuba (CE), Blumenau (SC), Dionísio Cerqueira (SC), e Rio Crespo (RO), onde há duas suspeitas.

Uma suspeita na cidade de Macaé (RJ) foi descartada ontem, bem como outro paciente acompanhado em Mato Grosso do Sul.

Como acontece a contaminação

A varíola dos macacos é uma doença viral rara transmitida pelo contato próximo/íntimo com uma pessoa infectada e com lesões de pele. Esse contato pode ser, por exemplo, por abraço, beijo, massagens, relações sexuais ou secreções respiratórias próximas e por tempo prolongado.

“A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo doente. Não há tratamento específico, mas de forma geral os quadros clínicos são leves e requerem cuidado e observação das lesões”, informou o governo de São Paulo, em nota.

Prevenção

  • Evitar contato próximo/íntimo com a pessoa doente até que todas as feridas tenham cicatrizado;
  • Evitar o contato com qualquer material, como roupas de cama, que tenha sido utilizado pela pessoa doente;
  • Higienização das mãos, lavando-as com água e sabão e/ou uso de álcool gel.

Conheça os sintomas

Os primeiros sintomas podem ser febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios ou cansaço. De um a três dias após o início desses sintomas, as pessoas desenvolvem lesões de pele que podem estar localizadas em mãos, boca, pés, peito, rosto e ou regiões genitais.

Risco de morte é baixo

A varíola dos macacos pode ser letal, mas o risco é baixo. Existem dois grupos distintos do vírus da doença circulando no mundo, agrupados com base em suas características genéticas: um predominantemente em países da África Central — com taxa de fatalidade de cerca de 10% —, e outro circulando na África Ocidental, com taxa bem menor, de 1%.

A vigilância genômica ainda incipiente mostra que o vírus em circulação fora do continente africano é o menos letal.

Complicações podem ocorrer, principalmente infecções bacterianas secundárias da pele ou dos pulmões, que podem evoluir para sepse e morte ou disseminação do vírus para o sistema nervoso central, gerando um quadro de inflamação cerebral grave chamado encefalite, que pode ter sequelas sérias ou levar ao óbito.

Além disso, como toda doença viral aguda, a depender do estado imunológico do paciente e das condições e acesso à assistência médica adequada, alguns casos podem levar à morte.

Vacina da varíola humana

Estudos apontam que a vacinação prévia contra varíola pode ser eficaz contra a varíola de macacos em até 85%. Isso porque ambos os vírus pertencem à mesma família e, portanto, existe um grau de proteção cruzada devido à homologia genética entre eles.

Entretanto, como a varíola humana foi erradicada há mais de 40 anos, atualmente não há vacinas disponíveis para o público em geral.

Fonte: UOL