A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha prestado depoimento ou apresentado documentos em uma delação premiada com as acusações divulgadas recentemente sobre um suposto financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As instituições afirmaram que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa do empresário não foram aceitas.
A controvérsia começou após a revista Veja divulgar um áudio atribuído a Vorcaro no qual ele afirma ter destinado cerca de R$ 30 milhões, em dinheiro vivo, para financiar o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, além de mencionar repasses ao Instituto Lula. Segundo a publicação, os relatos estariam relacionados às tentativas do ex-banqueiro de firmar um acordo de colaboração com as autoridades.
Em nota, a Polícia Federal declarou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo divulgado nem entregou à instituição documentos ou informações sobre o suposto financiamento. A PGR também informou que não houve depoimento oral durante as negociações e que as propostas foram rejeitadas. A defesa do ex-banqueiro contestou a divulgação do material e afirmou que ele não prestou depoimento no âmbito das tratativas.
Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que a única referência a um filme sobre Lula encontrada em um anexo das propostas de colaboração diz respeito a uma declaração de Vorcaro sobre patrocínios anteriores a produções envolvendo Lula e Michel Temer. O conteúdo não corresponde, segundo a apuração, a um depoimento formal sobre os pagamentos descritos no áudio divulgado pela Veja.
O caso também ganhou repercussão eleitoral. A campanha de Lula classificou as acusações como falsas e anunciou medidas judiciais contra a divulgação do material. O presidente negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro. Até o momento, as informações divulgadas não comprovam o alegado pagamento ao documentário.
A rejeição das propostas de delação e as negativas das autoridades aumentaram os questionamentos sobre a origem e a comprovação das declarações atribuídas ao ex-banqueiro. A existência de um áudio divulgado pela imprensa, por si só, não comprova a veracidade das acusações, que dependem de evidências verificáveis e de apuração pelas autoridades competentes.
Com informações da Revista Fórum





