Emendas parlamentares destinadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram direcionadas a entidades que passaram a ser alvo de questionamentos de órgãos públicos e investigações. Levantamento divulgado pela Revista Fórum, com base em apuração do UOL, aponta repasses para uma organização classificada pela Receita Federal como “inexistente de fato”, empresas investigadas pela Polícia Federal e um instituto cuja liberação de recursos foi tratada com uma assessora do senador por Robson Calixto, conhecido como “Peixe” e condenado no caso Marielle Franco.
Desde 2020, Flávio Bolsonaro teve mais de R$ 300 milhões reservados em emendas parlamentares. Um dos casos citados envolve o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), que recebeu R$ 666 mil em agosto de 2025, provenientes de uma emenda de R$ 3,1 milhões destinada à atenção básica de saúde de Mesquita, na Baixada Fluminense.
Em junho de 2026, a Receita Federal classificou o IMP como “inexistente de fato”. Segundo documento do órgão, foram identificados elementos que, na avaliação fiscal, indicariam que a empresa teria sido constituída para a prática de fraude fiscal, inclusive em benefício de outras empresas. O instituto também é acompanhado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
O TCE-RJ apontou, em decisão de 2025, ausência de estudos técnicos antes da transferência da gestão de serviços de saúde para o instituto e mencionou indícios de conluio na concorrência vencida pelo IMP. Documentos também registraram que uma pessoa que aparecia como signatária de documentos da entidade havia morrido em 2017. A Prefeitura de Mesquita posteriormente rescindiu contratos, aplicou multa de R$ 3 milhões e declarou o instituto inidôneo por dois anos.
Emenda tratada com condenado no caso Marielle
Outro episódio envolve cerca de R$ 199 mil destinados por Flávio a um projeto esportivo do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro. Segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal, Robson Calixto, o “Peixe”, tratou da liberação dos recursos com uma assessora do senador.
Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 2026 por integrar organização criminosa relacionada ao assassinato da vereadora Marielle Franco. A investigação da PF apura se recursos de emendas destinados a entidades ligadas aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram desviados.
De acordo com a PF, os diálogos indicam que Calixto pediu à assessora que verificasse com o senador a possibilidade de liberar recursos. O relatório policial também mencionou suspeitas de contratações fraudulentas envolvendo o instituto.
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que os repasses foram realizados dentro da legislação e seguindo critérios técnicos do Ministério do Esporte. O senador também declarou que seu gabinete não escolhe as empresas ou entidades que executam os recursos, atribuindo aos órgãos beneficiários a responsabilidade pelas contratações e pela aplicação das verbas.
Empresas investigadas pela Polícia Federal
O levantamento também identificou recursos destinados a empresas investigadas na Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Federal em 2023 para apurar suspeitas de fraude em licitações relacionadas a equipamentos de proteção balística.
A Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil, enquanto a Inbra-Tecnologia recebeu R$ 1,1 milhão em convênios que contaram com recursos provenientes de emendas de Flávio. As investigações sobre as empresas apuram possíveis irregularidades em contratos públicos.
O caso reúne diferentes destinações de recursos públicos e passou a ser acompanhado por órgãos de controle e investigação. As apurações ainda devem esclarecer eventual responsabilidade dos envolvidos e a forma como os recursos foram utilizados.
Com informações da Revista Fórum





